Homenagem a Simião Martiniano no Samuel Campelo

“O tom das obras de Simião é a prova de que uma história bem bolada não precisa de parafernálias para cativar o público”, elogia o diretor Eduardo Monteiro. Evento acontece no próximo sábado (30), às 19 horas.

Por Felipe Pinheiro

Quando alguém é realmente muito bom naquilo que faz, logo passa a ser chamado de Monstro Sagrado da sua área. Fernanda Montenegro é um monstro sagrado da dramaturgia brasileira. Silvio Santos, dos programas de auditório, e Roberto Carlos, da música mundial. Não é fácil receber o título, é preciso se destacar, ser alguém incomum. Foi o que aconteceu com um menino nascido em 1932, na Zona da Mata do Estado de Alagoas. Batizado como Simião Martiniano, o alagoano ficou conhecido em toda região nordestina e em outros lugares do País como o Ed Wood do Nordeste. Falecido em abril de 2015, no próximo sábado (30), o cineasta será homenagem no Cine Teatro Samuel Campelo, em Jaboatão Centro.

O projeto que homenageará o cineasta chama-se Simeão Remake, uma série televisiva que, antes de ser exibida na TV, entrou em cartaz no 17º Festcine, no Cinema São Luiz, na cidade do Recife. Agora no recém-inaugurado cinema municipal de Jaboatão dos Guararapes, três dos nove longas que Simião produziu voltam a ser exibidos ao público. Gratuitamente, os jaboatanenses poderão, à partir das 19 horas do sábado, assistir regravações dos filmes A mulher e o mandacaru, A moça e o rapaz valente e A valise foi trocada, além de um documentário que mistura cenas das obras originais (1994, 1999 e 2007, respectivamente), com bastidores das novas filmagens e depoimentos do próprio Simião Martiniano.

O talento de Simião foi desenvolvido em Pernambuco. Natural de União dos Palmares (AL), ele chegou no Estado na década de 50, com 27 anos. Decidiu morar no bairro de Socorro e ali viveu com sua família até o fim de sua vida. Sua esposa, neta e outros parentes estão entre os convidados para o evento no próximo fim de semana. Além deles, os diretores Rafael Coelho, Eduardo Monteiro, Antônio Carrilho e Amaro Filho também estarão presentes. Foram eles os responsáveis por regravarem as obras de Simião, que participou atuando nas novas produções. Junto com o ator, diretor, roteirista e cineasta, mais de 50 pessoas estiveram envolvidas na realização da série.

Simião ficou conhecido também como “O camelô cineasta” ou “O camelô do cinema”. Foi assim porque o artista era comerciante informal no centro do Recife e vendia, além de produtos variados, suas produções. Ele também oferecia seus filmes porta-a-porta em diversos locais de Jaboatão. O artista gostava de misturar gêneros e estilos norte-americanos com costumes e trejeitos nordestinos. Algumas vezes, usou locais da cidade em que morava como cenário das suas produções cinematográficas. O Engenho Macujé, em Jaboatão Centro, foi locação de alguns de seus filmes, que foram gravados em diversos formatos, como Super 8 e VHS.

Ainda em vida, o cineasta foi homenageado pelo Projeto Encontro, da Casa da Cultura de Jaboatão dos Guararapes. Existente há três anos, a iniciativa dá o merecido reconhecimento a pessoas que se destacam nos vários segmentos culturais. Parteiras, rezadeiras, dançarinos, carnavalescos, pintores, teatrólogos e outros artistas já foram homenageados. Simião Martiniano foi o segundo artista a receber a homenagem, em 2013.

A HOMENAGEM

Simião Remake é uma minissérie em quatro episódios, composta de documentário e três adaptações de filmes realizados por Simião Martiniano (1932-2015). Conhecido como o Cineasta Camelô, Simião fez o chamado cinema de bordas, aquele realizado com baixo orçamento, poucos recursos, muito improviso e camaradagem. Os três remakes foram escritos e dirigidos por realizadores de diferentes gerações, com gêneros variados e ambientados em cenários distintos: agreste, metrópole e zona da mata.

A Mulher e o Mandacaru, original de 1996, foi adaptado por Rafael Coelho. A história reúne um homem em decadência econômica, uma prostituta cansada da profissão e irmãos malfeitores procurando confusão. “A valise foi trocada” é o terceiro telefilme da série. Dirigido por Simião Martiniano em 2004, o original é descrito como “um filme policial com 60% de cenas de ação”. “O tom das obras de Simião é a prova de que uma história bem bolada não precisa de parafernálias para cativar o público”, elogia Eduardo.

O último episódio é A Moça e o Rapaz Valente, adaptação de Antonio Carrilho para o filme homônimo, lançado em 1998. “Fiz um filme aproveitando diversos diálogos do original”, adianta Carrilho, que havia dirigido Simião em O Homem da Mata (2004). Simião Remake é um projeto da Página 21, incentivado pelo Funcultura.

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