Literatura Afro-Brasileira é exaltada no V Prêmio Solano Trindade

“A poesia está em todo lugar”, disse Múcio Góes, um dos poetas que se apresentaram na noite da sexta-feira, no Cine Teatro Samuel Campelo

Por Felipe Pinheiro

“Quanta coisa tu tens pra contar… Não conta mais nada, pra eu não chorar… Eita negro! – Quem foi que disse que a gente não é gente?” Os versos são do poema “Conversa”, de Francisco Solano Trindade, poeta negro recifense que desafiou o determinismo social e virou ícone cultural no século XX. É ele quem dá o nome à premiação que aconteceu na noite da última sexta-feira (11), em Jaboatão Centro. A 5ª edição do Prêmio Solano Trindade foi realizada no recém-inaugurado Cine Teatro Samuel Campelo. O objetivo do concurso é, assim como o poeta nascido no bairro de São José em 1908, divulgar a poesia afro-brasileira. O acesso ao teatro continua sendo gratuito.

Promovido pela Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, o prêmio visa enaltecer a Literatura Afro-Brasileira. Lorena Raia, gerente da Secretaria Executiva de Cultura, explicou como acontece o processo de escolha dos três artistas que mais se destacaram na apresentação. “Este é um concurso de poesia performática, então são três critérios para a decisão dos jurados. São analisados conteúdo, temática e performance”, disse. Nesta edição, poetas de diversos locais do Estado fizeram parte do processo. “Fomos premiados com artistas de Igarassu, Moreno, Olinda, Recife, Palmares e até Arcoverde. Podemos dizer que, após cinco edições, temos nos consolidado como uma das maiores premiações do Estado”, concluiu a gerente.

O prêmio também revela novos artistas e apresenta outros com mais experiência. Hoje, Múcio Góes tem 47 anos, mas começou a escrever poesia aos 15. Com mais de trinta anos de carreira, o poeta gosta de escrever sobre o seu dia-a-dia. “Coisas que eu vejo na rua, coisas que acontecem comigo, são sempre inspiração para o que eu faço. Na verdade, a poesia está em todo lugar, basta você saber cantá-la”, refletiu. O artista sofreu um acidente de carro que o deixou numa cadeira de rodas e, apesar de confessar que o ocorrido mudou sua vida, ele diz que não há dificuldades para continuar fazendo o que sempre fez. “Na verdade, o acidente transformou a minha trajetória, me transformou, tanto quanto poeta quanto como escritor”, disse Múcio. Ele já escreveu seis livros e, em Abril, lançará sua sétima obra, “Amor Calypso”, em São Paulo.

As audições aconteceram em duas etapas. Como 22 poetas chegaram à fase final da premiação, eles foram divididos em dois grupos de onze pessoas que se apresentaram nas noites da quinta (10) e sexta-feira (11). Os artistas tinham cinco minutos para fazerem suas apresentações. Aqueles que ultrapassassem o tempo estariam automaticamente desclassificados. Os três primeiros colocados da primeira noite teriam que voltar como espectadores na noite da sexta-feira e aguardar o nome dos outros três que concorreriam diretamente com eles pela premiação. Além das placas, os jaboatanenses Tony Borba de Melo e Lenemar Santos, e a recifense Isabel Sougarret, os mais bem avaliados pelo grupo de jurados, receberam, respectivamente, R$ 3 mil (1º colocado); R$ 2,5 mil (2º colocado) e R$ 2 mil (3º).

 

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